Bucelas - Breve Resenha Histórica
 

A origem do seu nome parece provir de «boucellas», diminutivo medieval de bouça (+sufixo -ella), reforçado pelo topónimo Boução, que se aplicou a uma Quinta e a um ribeiro ainda existentes. Outros historiadores referem como origem do topónimo o termo «bucelário», isto é, uma designação de um homem livre, adicto a uma família poderosa, por quem era patrocinado. Herculano, em 'Eurico', alude a esta designação. É, pois, possível, que na área habitasse um tal homem livre, havendo mesmo uma inscrição romana numa pedra da Igreja Matriz, pertencente a um templo romano, que parece referir-se à sepultura de um tal soldado.

Sabe-se que em 1522 Bucelas pertencia ao 3.º Bairro de Lisboa, sendo, então, Vila de Rei a povoação principal. É nessa altura que passou a sede de freguesia para Bucelas.
   
Historicamente, não se conhecem as razões desta mudança. Segundo a lenda, existia no local onde foi construída a actual igreja matriz uma densa mata de carvalhos. Numa dessas árvores, foi encontrada uma imagem de Nossa Senhora que foi, de imediato, transportada para a ermida de S. Roque, em Vila de Rei. No entanto, a imagem voltou a aparecer na mesma árvore, no dia seguinte. E todas as vezes que foi levada para a ermida de Vila Rei regressou ao mesmo carvalho. Considerando os habitantes que a vontade da Virgem era permanecer no local, decidiram construir ali um novo templo a ela dedicado. Contra esta versão popular, a Dr.ª Maria Máxima Vaz defende a preexistência de uma igreja gótica, de que se teria salvo a sacristia da actual igreja matriz edificada em 1573.

Está documentada a presença humana em Bucelas desde os tempos dos Celtas, como bem a atesta o brasão de armas da vila, onde figura uma falcata celta cruzada em aspa com um gládio romano.
   
Testemunho da ocupação romana é a presença do monumental cipo ou pedra da memória, junto da Igreja Matriz Paroquial de Nossa Senhora da Purificação. Pertenceu a um templo pagão, consagrado ao Deus Manes, construído para túmulo de Lúcio Públio (filho) que, segundo a inscrição latina que encima o fuste era “filho muito amado de Júlio Lúcio e de Tússia Edomicília, que morreu aos dezoito anos”.
   
   
A freguesia foi da Coroa e passou à Casa da Condessa de Castanheira. Mais tarde, D. Pedro II doou-a ao seu filho, Infante D. Francisco, duque de Beja e Condestável do Reino, o qual, por sua vez, a integrou nos domínios da Casa do Infantado.

Sabe-se, também, que na povoação principal existiu um pequeno hospital (albergue), administrado pela Confraria do Espírito Santo.

Em 1460, D. Afonso V, doou o Padroado de Santa Maria de Bucelas a Pêro Vaz de Melo.

Com o nascimento do concelho dos Olivais, em 1852, esta freguesia integrou um conjunto de autarquias que, em 1886, deram origem ao concelho de Loures, como já foi anteriormente referido.

 
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